delírio de carnaval.
pisou na pedra, deu com a cara na porta, chegou e não tinha ninguém. isso é a desilusão. o que resta, só na quarta-feira de cinzas a gente vai saber… que chegue rápido.

pisou na pedra, deu com a cara na porta, chegou e não tinha ninguém. isso é a desilusão. o que resta, só na quarta-feira de cinzas a gente vai saber… que chegue rápido.
tipos que eu teria até muito pra dizer, mas não sei por onde começar. a sensação que fica, então, é que a vida se resume a não pisar em certos terrenos movediços, malvadas areias, incompreensões. e nisso eu vou adiando, adiando, na minha covardia momentânea. amanhã eu acordo e sopro meus ventos de novo - e, de repente, quem sabe, furacões, tempestades, ventanias.
porque, não tem jeito: a gente só sabe a força que tem quando para de negar, de protelar… quando começa e enxergar. a viver. tanto os inícios, quanto os finais.
as pessoas guardam, as pessoas acumulam sobre a terra em nome de algo que eu nem aprendi ainda o que é - mas que deve ter poder o suficiente pra forçar todo mundo a seguir um padrão e simplesmente ir vivendo, mesmo que se matando e empurrando com a barriga a loucura nossa de cada dia. foi então que eu resolvi me perguntar ali, há uma meia hora, enquanto olhava no espelho a minha cara borrada de maquiagem, o cabelo desgrenhado: e o que é que eu tenho de herança? o que é que vai ficar, se daqui a segundos, horas, qualquer vento passar e dissolver minha estrutura? uma história. eu só tenho uma história. que é louca, que é estranha e que quase ninguém acredita, mas é minha, é a minha insanidade particular, é o meu mote, meu desenvolvimento e o meu fim. não importa que ninguém a compartilhe ou a entenda, não importa que eu tenha viajado centenas de quilômetros até me encontrar, aqui, sem nada do que me era familiar, só para construir aquilo que, na minha cabecinha pós-adolescente, é a felicidade disfarçada de rotina. é o meu pedaço, é a minha guia. isso, que não se pode catalogar ou depositar, que não pode ser levado debaixo do braço e muito menos apagado: isso sou eu.
“Foi então que eu descobri. Ele está exatamente no mesmo lugar que eu agora, pensando as mesmas coisas, com preguiça de ir nos mesmos lugares furados e ver gente boba, com a mesma dúvida entre arriscar mais uma vez e voltar pra casa vazio ou continuar embaixo do edredon lendo mais algumas páginas do seu mundo perfeito.
A verdade é que as pessoas de verdade estão em casa. Não é triste pensar que quanto mais interessante uma pessoa é, menor a chance de você vê-la andando por aí?”