cinmac@gmail.com
tumblarity: 18.
18 é um número bonito, me lembrou quando eu tinha 18 anos e tinha medo de sair sozinha e me perder no meu próprio bairro. tudo o que eu sabia era o trajeto casa-faculdade e que se faltasse um ônibus às 22:10 de um dia de semana eu tava na rua. arrá. aos 18 anos eu ainda me preocupava se o cabelo tava bom, se as roupas estavam passadas pra semana seguinte e ouvia alana davis todos os dias rezando a cartilha de que a vida um dia valeria a pena - dia em que o grande amor chegasse, nem que fosse o amor por uma profissão ou um vaso de plantas, tanto faz. ao 18 eu era uma das melhores alunas da sala de Letras, que é, por natureza, um curso de pessoas alienadas que cedo ou tarde entrarão em crise existencial, especialmente depois de descobrirem o valor do piso da aula de língua portuguesa ou língua estrangeira nas escolas regulares (fato que, não sei por que cargas d’água, o pessoal só faz questão de saber no final do curso, tipo nos seis meses finais). aos 18 anos eu não queria namorados porque achava que ficaria mais burra, mais feia, mais apagada por ter, ao invés dos livros e das teorias, uma única pessoa na cabeça e que muito provavelmente nem viria a ser alguma coisa durável - sim, porque “relacionamento” não combinava com “durável”, essas eram palavras mutuamente exclusivas. aos 18 eu brigava com a minha mãe quase todos os dias sobre coisas sem importância ou então com importância demais, como a vontade dela de fazer de mim algo que eu nunca entendi o que era, ou o jeito rápido demais como eu varria a casa, coisa que para ela era uma ofensa (oi?). minha irmã devia estar fazendo algum curso sobre algum assunto que eu não tenho ideia, porque eu quase nunca a via; se via, não entendia boa parte do que ela falava - a isso se chama “mundos diferentes”. aos 18 eu queria viver de escrever, só não sabia o quê, e lia com uma voracidade de que aquelas linhas me completassem um vazio até então inominado, estéril, culpa de todos e de ninguém.
dou-te os meus ganhos.
Lya Luft (via pequenos-retalhos)
TOC
cansaço, cansaço, sono, sono, sono, cama, sono, travesseiro, ZzZzzz.
(hoje não tô muito aí pra você, tumblr. mals.)
Clarice Lispector (hariana, aleatoriedades) (via cloudfollower)
this too shall pass.
os cadernos e os boletins, as cartas, os telefonemas, os beijos que aconteceram e os que nunca aconteceram suavemente apagados, esquecidos no porão. tique-taques: então é isso que vai? um passado morto, murcho e cheio de obviedades - o que foi, o que não foi, o que jamais poderia ter sido; mas, e se fosse? estaríamos aqui? é claro que não, você me diz. nunca mais os gritos da mãe, nunca mais o olhar do cachorro feio que deixava pelos espalhados na casa toda, no final já tão imunda de lembranças largadas pelos corredores. fomos o quê? rascunhos, garatujas, fomos a nossa essência ainda inviolada e que agora arde no mundo dos adultos, urgente, cada vez engolindo mais a própria incompreensão.
no meio disso: para onde? como se a importância de saber fosse grande, maior que o continuar indo. vai, vai pelo caminho e não olhe para trás depois de dizer as palavras mágicas: eu sou, tu és, porque não há cortina que cerre os olhos de quem ousou saber e reconhecer em voz alta que os ventos sopram, as folhas caem e ninguém nunca mais será o mesmo.
(rascunho aleatório de uma coisa qualquer que me veio à cabeça)









